Juventude e arte urbana transformam muro de escola pública no Grande Bom Jardim

Como continuidade das ações iniciadas durante o Mutirão Socioambiental do Grande Bom Jardim, o Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza (CDVHS), em articulação com a Rede DLIS e com apoio da agência de cooperação Misereor, realizou a oficina de comunicação comunitária “Recado das Ruas – Intervenção Visual no Espaço Urbano”, envolvendo jovens da Associação Zumbi Capoeira (AZC) em um processo formativo de arte urbana, educação socioambiental e ocupação criativa do espaço público.

A atividade aconteceu em dois momentos: uma roda de conversa realizada no dia 19 de maio e uma intervenção prática de grafite no dia 23 de maio, na Escola Municipal Antônia Maria de Lima. A oficina foi facilitada por Narah Adjane, arte-educadora do Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ), e integrou formação crítica, escuta coletiva e experimentação artística.

Comunicação comunitária e leitura crítica do território

O primeiro encontro aconteceu em formato de roda de conversa e teve como ponto de partida os significados atribuídos ao meio ambiente pelos próprios participantes. Inicialmente associada a árvores, florestas, água e animais, a discussão foi ampliada para compreender o meio ambiente também como o espaço cotidiano vivido: ruas, praças, escolas, casas e territórios periféricos atravessados pelas experiências da comunidade.

A atividade buscou aproximar o debate socioambiental da realidade concreta dos jovens, relacionando cuidado ambiental, pertencimento territorial e direito à cidade. A reflexão destacou que preservar o meio ambiente também significa cuidar dos espaços coletivos, fortalecer vínculos comunitários e disputar os sentidos da cidade.

Durante a conversa, os participantes também debateram grafite, pichação e intervenção urbana, compartilhando percepções sobre estética, criminalização, liberdade de expressão e ocupação simbólica dos espaços urbanos. O diálogo evidenciou o reconhecimento da arte urbana como ferramenta de comunicação popular, denúncia social e afirmação de identidades periféricas.

A partir das discussões, os jovens foram divididos em grupos para construir coletivamente uma proposta de intervenção visual. Enquanto um grupo elaborou palavras-chave relacionadas aos temas debatidos, outro desenvolveu desenhos e símbolos inspirados na vivência cotidiana, na capoeira, na ancestralidade, na religiosidade afro-brasileira e na relação com o território.

Juventude, arte e ocupação do espaço público

O segundo momento da oficina ocorreu no sábado (23/05), quando os participantes colocaram as ideias em prática por meio da construção coletiva de um grafite no muro da Escola Municipal Antônia Maria de Lima.

A intervenção transformou o espaço escolar em um território de expressão comunitária, reunindo cores, símbolos e mensagens produzidas pelos próprios jovens. O mural teve como eixo central a imagem de uma árvore coletiva, representando o vínculo entre natureza, cidade, memória e convivência comunitária.

Além da experiência artística, a atividade possibilitou o contato dos participantes com técnicas de grafite e com o uso de tintas e sprays, fortalecendo o protagonismo juvenil e a apropriação simbólica do espaço urbano.

Continuidade das ações socioambientais

A oficina integra o conjunto de ações desenvolvidas pelo CDVHS e pelas organizações parceiras no âmbito do processo de construção do Mapeamento Participativo das Injustiças Socioambientais do Grande Bom Jardim.

Ao articular formação crítica, cultura e intervenção urbana, a iniciativa fortalece práticas comunitárias de cuidado, organização popular e enfrentamento ao racismo ambiental, reafirmando o território como espaço de criação coletiva, resistência e produção de vida.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *