Mutirão Socioambiental fortalece vínculos comunitários no Grande Bom Jardim

No último dia 18 de abril, o Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza (CDVHS), com o apoio da Agência de Cooperação Misereor e em articulação com coletivos, organizações populares e iniciativas comunitárias do Grande Bom Jardim, realizou o Mutirão Socioambiental Comunitário na Praça Márcio Régis da Rocha Brandão, ao lado da UPA da Granja Lisboa.

A atividade reuniu mais de 100 moradores e visitantes em uma manhã marcada pela convivência, troca de saberes e fortalecimento dos vínculos comunitários. A ação integrou práticas de cuidado com o território e atividades formativas, reafirmando a praça como espaço de encontro, memória, direito e vida coletiva.

Ação coletiva e cuidado com o território

Durante o mutirão, foram desenvolvidas diversas atividades voltadas à melhoria do espaço público e à promoção da educação socioambiental. Entre as ações realizadas, destacam-se o plantio de 10 mudas de árvores nativas, a doação de mais de 50 mudas, a construção de uma horta comunitária com ervas medicinais, a instalação de 2 lixeiras, além de oficinas de reciclagem e uma feira de economia popular e solidária.

A programação também contemplou atividades voltadas às crianças, garantindo o direito ao brincar e à ocupação da praça como espaço de convivência e formação cidadã. A metodologia adotada priorizou a participação livre, a circulação entre atividades e o respeito aos diferentes ritmos dos participantes, promovendo um ambiente inclusivo e intergeracional.

Enfrentamento às injustiças socioambientais

O mutirão se insere em um contexto marcado pela ausência histórica de políticas públicas contínuas de cuidado com os espaços coletivos nos territórios periféricos. Nesse sentido, a iniciativa se afirma como uma estratégia popular de enfrentamento às desigualdades socioambientais, articulando ação prática, formação crítica e organização comunitária.

Mais do que uma intervenção pontual, a atividade buscou integrar práticas de educação em direitos, divulgação científica e cuidado comunitário, reforçando o entendimento de que o cuidado com o meio ambiente está diretamente ligado à promoção da qualidade de vida e à garantia do direito à cidade

Direito à cidade e protagonismo comunitário

Ao ocupar a praça de forma ativa e coletiva, o mutirão reafirma o direito da população ao uso e à gestão dos espaços públicos, fortalecendo o sentimento de pertencimento e o protagonismo comunitário. A iniciativa colabora com uma aposta política de construir soluções coletivamente, de valorizar saberes populares e de articular diferentes atores do território em torno de um bem comum.

Como desdobramento das ações, segue em curso o Mapeamento Participativo das Injustiças Socioambientais do Grande Bom Jardim, iniciativa que busca sistematizar as principais violações socioambientais da região e contribuir para a incidência política e a formulação de estratégias de enfrentamento.

Continuidade das ações

O CDVHS e as organizações parceiras seguem mobilizados no desenvolvimento de ações voltadas ao enfrentamento da crise climática e do racismo ambiental, fortalecendo práticas comunitárias de cuidado, formação e organização popular.

O Mutirão Socioambiental reafirma, assim, a potência do território como espaço de construção coletiva, onde o cuidado, a escuta e o bem viver se colocam como dimensões centrais da justiça socioambiental.

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