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CDVHS integra organização de seminário nacional sobre justiça energética e transição popular

Entre os dias 13 e 15 de agosto de 2026, Fortaleza recebeu o seminário “Justiça Energética e Transição Popular: soluções de base comunitária”, que reuniu 44 pessoas, entre lideranças comunitárias e representantes de organizações e movimentos sociais das regiões Nordeste, Sul e Sudeste do Brasil. O Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza (CDVHS) integrou a organização do encontro, construído em articulação com o Instituto Pólis, a Rede Jubileu Sul Brasil, o Instituto Terramar, o ESPLAR, o Movimento dos Conselhos Populares (MCP), a Taramela Assessoria Técnica em Arquitetura e Cidade e a Frente de Luta por Moradia Digna.

Realizado no Centro Pastoral Maria, Mãe da Igreja, o seminário debateu justiça e pobreza energética a partir de experiências comunitárias de produção e gestão de energia solar. As discussões também abordaram economia solidária, justiça territorial, equidade de gênero, direitos humanos e soberania alimentar.

Transição energética e desigualdades territoriais

A programação teve início com uma palestra aberta ao público sobre “O que está em jogo no debate sobre mudanças climáticas e transição energética?”. O debate abordou as contradições da expansão das energias renováveis, destacando que a utilização de fontes renováveis não garante, por si só, uma transição justa.

Experiências de expansão de parques solares e eólicos no Nordeste e de infraestruturas como os data centers foram discutidas a partir de seus impactos nos territórios. O encontro também provocou uma reflexão sobre quem decide, quem se beneficia e quem arca com os impactos dos projetos de transição energética.

Justiça energética e experiências comunitárias

No segundo dia, o painel “Justiça Energética no Brasil e no Mundo” contou com Henrique Frota, do Instituto Pólis, Lúcia Albuquerque, do CDVHS, e Gabriel Alves, do ESPLAR. As discussões relacionaram pobreza energética, vulnerabilidade social e desigualdades territoriais, além de apresentarem possibilidades de geração descentralizada, comunitária e autogestionada.

A programação também incluiu uma visita ao Conjunto Palmeiras, onde os participantes conheceram o PalmaSolar, experiência que articula usinas solares comunitárias, financiamento comunitário e economia solidária. Atualmente, a iniciativa atende cerca de 100 famílias e pequenos negócios, com prioridade para lares chefiados por mulheres.

Troca de experiências e articulação

O terceiro dia foi dedicado à troca de experiências de microgeração solar comunitária, com iniciativas como o Coletivo Nosso Sol, a Revolusolar, a Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) e a Favela da Paz. As experiências apresentadas mostraram diferentes formas de articular energia solar, organização comunitária, formação, moradia e economia solidária.

Ao final do seminário, foram definidos quatro encaminhamentos: a construção de uma carta-compromisso para candidaturas progressistas; uma agenda comum entre as organizações participantes; uma agenda permanente de comunicação; e uma oficina online sobre advocacy.

Para o CDVHS, a participação na construção do seminário contribuiu para o fortalecimento a articulação entre organizações e movimentos sociais de diferentes regiões do país e ampliar o debate sobre alternativas comunitárias para uma transição energética baseada na justiça territorial e no protagonismo dos territórios.

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