Oficina de Comunicação Popular fortalece jovens para produção de reportagens sobre direitos humanos

No dia 4 de fevereiro, jovens agentes de paz participaram de uma Oficina de Comunicação Popular facilitada por Susana Moreira e Yara Vitorino. A atividade contou com o apoio do Projeto Sementes de Proteção e integrou a preparação para o I Concurso Nacional de Reportagens sobre Direitos Humanos.

A iniciativa reafirma o compromisso do CDVHS com a formação crítica e o protagonismo juvenil na defesa dos direitos humanos, fortalecendo a comunicação como instrumento de transformação social.

Formação com foco em justiça e território

A oficina partiu de uma pergunta central: o que acontece quando uma história não é contada? A partir dessa provocação, os participantes refletiram sobre situações de injustiça, violência e resistência vividas em seus bairros e discutiram por que essas histórias raramente aparecem na grande mídia.

Entre os temas que emergiram no debate estiveram os impactos do racismo ambiental, os festivais culturais do território e as redes de solidariedade construídas diante das violações de direitos. Também foi destacado que defensoras e defensores de direitos humanos muitas vezes são silenciados ou têm suas trajetórias invisibilizadas.

As reflexões reforçaram que a comunicação pode proteger ou expor — depende de como é feita. O concurso foi apresentado como uma proposta de comunicação voltada à proteção popular, baseada na ética e no cuidado. Mais do que escrever uma notícia, é preciso contar histórias sem expor pessoas ou aprofundar situações de vulnerabilidade.

Como exemplo, foi discutido o caso do Grupo Mães do Curió. No início, parte da cobertura midiática criminalizou as vítimas. Com a mobilização das famílias e da sociedade civil, a narrativa mudou e passou a apresentar as histórias de vida das pessoas atingidas, evidenciando a importância de uma comunicação ética e comprometida com os direitos humanos.

Produção coletiva de reportagem

Na etapa prática, os jovens levantaram possíveis pautas para a elaboração das reportagens. Ganhou destaque o tema do racismo ambiental e a atuação de defensoras de direitos humanos, especialmente diante dos impactos das chuvas nas periferias, que frequentemente resultam em perdas materiais e até de vidas.

A partir das discussões, foram produzidas duas reportagens — uma no formato escrito e outra em áudio — fortalecendo o protagonismo juvenil na construção de narrativas sobre seus próprios territórios. Os trabalhos estão concorrendo no concurso, realizado em parceria entre a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), a Avuar Social e entidades associadas, com apoio da União Europeia.

Para Ingrid Maria Teixeira, 18 anos, integrante do JAP, a experiência foi significativa. “A oficina do CDVHS de comunicação foi bem completa, pois falamos das injustiças que aconteceram no nosso bairro e que se relacionam com o racismo ambiental. Entendemos qual era a estrutura, escolhemos coletivamente a forma dessa reportagem e construímos juntos”.

A Oficina de Comunicação Popular reafirma que contar histórias é também um ato de defesa da vida e dos direitos. Ao fortalecer jovens comunicadores e comunicadoras, o CDVHS contribui para que as vozes dos territórios sejam ouvidas com responsabilidade, ética e compromisso social.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *