Caravana das Políticas Socioambientais mobiliza comunidades do Grande Bom Jardim

O Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza (CDVHS), em articulação com organizações que integram a Rede de Desenvolvimento Local, Integrado e Sustentável do Grande Bom Jardim (Rede DLIS), realizou, durante o mês de março, a Caravana das Políticas Socioambientais do Grande Bom Jardim (GBJ). A iniciativa marca a etapa inicial do processo de construção do Mapeamento Participativo da Injustiça Socioambiental no território.

A Caravana reuniu moradores, lideranças comunitárias e representantes de organizações em uma programação que integrou formação política, escuta territorial e análise crítica de políticas públicas. As atividades tiveram como foco as relações entre mudanças climáticas, desigualdades urbanas e condições de vida nas periferias.

Participaram da ação organizações do GBJ como a Associação de Catadores e Catadoras do Grande Bom Jardim (Ascabomja), a Associação dos Moradores da Comunidade do Marrocos (AMCM), ArqPET, Bons Jardins Urbanos, Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ), Crauá Coletivo Ambiental, Fórum Maragoab, Instituto Avivar, Instituto Maria do Carmo (IMC), Jovens Agentes da Paz (JAP) e Quintau Coletivo. O projeto conta com apoio da agência de cooperação alemã Misereor.

Formação política e leitura crítica do território

A programação foi estruturada em três momentos: duas rodas de conversa formativas, realizadas nos dias 10 e 24 de março, e uma visita sociotécnica ao território, no dia 21.

A primeira roda de conversa abordou o tema “O que são as políticas de prevenção, mitigação e adaptação climática?”. O encontro reuniu representantes das comunidades do Marrocos, da Paz e São Francisco, promovendo a troca de experiências e a reflexão sobre as condições socioambientais locais.

Durante a atividade, foram discutidos os conceitos centrais das políticas climáticas, relacionando-os à realidade das periferias urbanas. O debate evidenciou o descompasso entre diretrizes institucionais e o acesso desigual a políticas públicas estruturantes.

Entre os principais pontos levantados, foi destacada a centralidade da água nas dinâmicas de injustiça socioambiental do território, expressa em enchentes recorrentes, ausência de saneamento básico, precariedade da drenagem urbana e acúmulo de resíduos sólidos. Esses fatores foram compreendidos como manifestação do racismo ambiental que estrutura a produção desigual do espaço urbano.

Visita sociotécnica fortalece análise in loco

No dia 21 de março, a Caravana realizou uma visita sociotécnica a pontos estratégicos da bacia do Rio Maranguapinho, incluindo áreas nas comunidades São Francisco, trechos de afluentes, a Lagoa do Marrocos e o Parque Lagoa da Viúva.

A atividade permitiu identificar, diretamente no território, situações de risco, intervenções urbanas insuficientes ou excludentes, degradação ambiental e impactos das chuvas. A combinação entre observação técnica e escuta comunitária reforçou a centralidade da experiência vivida como base para a produção de conhecimento.

Políticas climáticas e realidade do território

A segunda roda de conversa, realizada em 24 de março, teve como tema “A Política Municipal de Mudança do Clima atende as demandas do território?”, aprofundando a análise sobre a relação entre políticas públicas e realidade territorial.

O encontro aprofundou a compreensão sobre as transformações nas condições ambientais e sociais, destacando fenômenos como a degradação de áreas naturais, poluição de rios e redução de espaços de convivência comunitária.

Também foram apontados desafios estruturais relacionados à gestão de resíduos, à insuficiência de serviços urbanos e à precariedade da infraestrutura de drenagem e saneamento. Os participantes indicaram ainda os limites entre o planejamento institucional e a realidade das comunidades, especialmente no que diz respeito à implementação das ações, à participação social e à devolutiva dos processos participativos.

Mobilização e incidência política

A Caravana reafirma o Mapeamento Participativo da Injustiça Socioambiental como um processo político de construção coletiva de conhecimento e fortalecimento comunitário.

Ao articular formação e leitura territorial, a iniciativa contribui para qualificar a incidência sobre políticas públicas e fortalecer a atuação das comunidades na busca por soluções mais justas, territorializadas e alinhadas às realidades das periferias urbanas.

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