MORADORES DO BOM JARDIM LANÇAM PLANO POPULAR DA ZEIS

Publicação 23/06/18 11:35

Reunindo movimentos populares, de juventude e de moradores, o sábado (23) foi marcado pela finalização do Plano Popular da ZEIS Bom Jardim, construído em parceria pela Rede DLIS, pelo Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza e pelo Programa de Educação Tutorial do curso de Arquitetura da Universidade Federal do Ceará.

Em meio aos mapas e estudos que condensam esforços coletivos, residem vozes como a de Dona Graça Tabosa que não escondem o ânimo ao dizer: “Eu acredito que um dia teremos qualidade de vida”. Com 66 anos e morando no território desde 1992, Dona Graça acompanhou todo o processo da Ocupação da Paz. “Desde o ínicio já era uma área de risco e permanece assim até hoje. Tenho um sonho de um dia vê-los morando em um lugar melhor, com dignidade e no local que sempre viveram”, explica.

O sonho dos mais velhos é compartilhado pelos mais novos. Caroline de Freitas tem 17 anos e reside no território do Pantanal. Somente em 2018 descobriu que sua comunidade era uma Zona Especial de Interesse Social e, desde então, tem se mobilizado por acreditar que “é uma luta de todos. Queremos um bairro com moradia digna onde as pessoas não vivam com esgoto a céu aberto. O número de famílias sem banheiros é alarmante”, conta.

O encontro de gerações de defensores de direitos é marca do lançamento do Plano Popular da Zona no Bom Jardim. Juntas, concordam que “a participação dos moradores é importante para pressionar a Prefeitura e mudar a situação” que vivem. A definição do território como uma ZEIS é, para Dona Graça, “uma forma de resolver a situação. O Prefeito não vai sair para fazer nada, só em estarmos levando informação já damos um passo” ao referenciar que a lei não sairá do papel sozinha e apontar a mobilização popular como caminho para pautar os itens que compõem o plano.

ENTENDA O PLANO

O Plano Popular da ZEIS é fruto de pesquisa realizada nos últimos dois anos em parceria entre o CDVHS, Rede DLIS e ArqPET UFC. Após levantamento de dados e estatísticas, o Plano foi construído a partir de discussões realizadas de forma descentralizadas pelo território a fim de identificar ‘a comunidade que temos’ e nortear ‘a comunidade que queremos’.

O Plano é composto por um conjunto de propostas sobre regularização fundiária, relação com o meio ambiente, gestão dos equipamentos sociais e outras temáticas referendadas por moradores e movimentos sociais.