MOVIMENTOS SOCIAIS ARTICULAM-SE FRENTE À SITUAÇÃO DA SEGURANÇA PÚBLICA NO CEARÁ

Publicação 11/04/18 23:53; atualização 12/04/18 00:04

Com aumento de 50,7% na taxa de homicídios em 2017, Ceará registra 5.134 casos a mais quando comparados aos números de 2016. As estatísticas de violência mobilizam movimentos sociais a formularem alternativas a partir da construção do Fórum Popular de Segurança Pública.

Outro número relevante diz respeito aos assassinatos provocados por ação policial. Enquanto 2013 figurava 41 casos deste tipo, 2017 apresentou 161 ocorrências – calculando-se aumento de 292%. Para Caio Feitosa, coordenador do Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza, a implantação de ações mais efetivas para conter a repressão violenta pela polícia é uma necessidade urgente. “É claro que, em situações de confronto e risco à vida dos profissionais da segurança, o confronto é uma possibilidade, mas, pelos números que temos observado, parece que o confronto [violento gerado pela polícia] virou uma regra, não uma situação-limite”, explica.

Localizado no Bom Jardim, um dos bairros em situação crítica em relação à violência em Fortaleza, o Centro destaca a exclusão social das comunidades periféricas como uma faceta crucial do problema. Segundo levantamento do Plano Fortaleza 2040, a capital cearense conta com 856 ‘assentamentos’ precários; estes concentram 1,1 milhão de fortalezenses, cerca de 40% da população da cidade, e respondem pela maior parte dos homicídios da capital.

O Centro mobiliza-se em torno das pautas de segurança e amplia os questionamentos sobre o caráter das políticas públicas neste setor e, aliado a mais de 60 entidades, compõe o Fórum Popular de Segurança Pública – instância popular de incidência e formulação que nasce das mobilizações populares.

Com informações do Brasil de Fato, edição de 30 de março de 2018.