REDE DLIS REALIZA SEMINÁRIO PARA PROTEÇÃO INFANTOJUVENIL

Publicação 17/11/19 13:16; atualização 25/11/19 21:34

A iniciativa fez parte da II Semana Cada Vida Importa, criada pela Lei 16.482/2017, e da Semana Estadual de Prevenção aos Homicídios de Jovens. Organizado pela Comissão de Proteção Infantojuvenil da Rede DLIS do Grande Bom Jardim, o Seminário aconteceu no dia 12 de novembro de 2019 (terça) e contou com 87 participantes entre organizações da sociedade civil que atuam com crianças, adolescentes e jovens, Secretarias Municipal e Estadual de Educação, órgãos do Sistema de Assistência Social, Assembleia Legislativa, Comitês e Conselhos de Direitos de Crianças e Adolescentes, Ministério Público Estadual e Redes de Proteção.

I Seminário Interdisciplinar de Proteção Infantojuenil. Foto: Marly Pereira

DESAFIOS PARA A PROTEÇÃO DE CRIANÇAS, ADOLESCENTES E JOVENS

Com o objetivo de discutir as questões que afetam a vida e a dignidade de crianças, adolescentes e jovens do Grande Bom Jardim, o Seminário trouxe para o debate o fato de todos os bairros do GBJ (Bom Jardim, Canindezinho, Siqueira, Granja Portugal e Granja Lisboa) estarem entre os 20 primeiros bairros de Fortaleza que concentram 790 homicídios, 47% dos homicídios ocorridos em 2018. Denunciando que o Bom Jardim ocupa o primeiro lugar em assassinatos de adolescentes com 33 meninos assassinados em só neste bairro no ano passado. Tal situação não pode ser naturalizada ou ficar na indiferença da sociedade desta cidade. Ao contrário, deve ser levada em consideração na busca de soluções rápidas.

Segundo os relatórios do Comitê Cearense de Prevenção aos Homicídios na Adolescência (CCPHA), algumas evidências como morar em um dado território, estar fora da escola, ser negro(a). implicam em risco maior de sofrer uma violência letal. Negações e violações de direitos ao longo da trajetória de vida geram vulnerabilidades que produzem homicídios. “A morte começa no abandono.” De fato, os estudos do Comitê mostram que 74% dos adolescentes mortos estavam fora da escola e 67% nunca foram parte de um projeto social.

Nesse contexto, o I Seminário chamou a atenção para a importância da SEMANA DE PREVENÇÃO – CADA VIDA IMPORTA – Nenhum homicídio pode ser aceito. A Comissão de Proteção Infantojuvenil destaca a importância da atuação das escolas públicas, criando oportunidades de acolhimento, escuta, cuidados no campo da prevenção. Faz-se urgentemente necessário um trabalho refletido e articulado para salvaguardar os mais de 110.000 moradores do GBJ abaixo de 29 anos (que são crianças, adolescentes ou jovens).

PÓS-SEMINÁRIO

Os participantes do I Seminário consideram importante que haja continuidade das reflexões e realização de eventos semelhantes para tratar da proteção infanto-juvenil e fortalecer a atuação das escolas, dos equipamentos de assistência social e redes de proteção. Apontaram como perspectivas:

PARTICIPANTES

O I SEMINÁRIO INTERDISCIPLINAR DE PROTEÇÃO INFANTOJUVENIL da Rede de Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável do Grande Bom Jardim (Rede DLIS GBJ), articulado pela Comissão de Proteção Infantojuvenil da Rede DLIS, realizado no dia 12 de novembro (terça), contou com 87 participantes sendo 18 organizações da sociedade civil (14 da Rede DLIS e 04 parceiras); Secretaria Municipal de Educação (SME) e 17 escolas públicas municipais, Secretaria de Estado da Educação (SEDUC) e duas das 12 escolas públicas estaduais do GBJ. Além das entidades locais e das escolas, participaram também o CRAS, o CREAS, a SDHDS, a Rede Aquerela, o Ministério Público, o CCPHA, o CCBJ, Secretaria Estadual da Cutura (SECULT-CE), o Instituto Oca, Gabinete do Deputado Renato Roseno, Visão Mundial, CEDECA, CEDCA-Ce, SPS (CRAVV e NAPP), VIESES/UFC e LAB-VIDA/UECE.

AGRADECIMENTOS

A Comissão de Proteção Infantojuvenil da Rede DLIS agradece à todas participantes, pelo esforço feito para parar por um dia fazendo reflexões sobre a vida de meninxs no GBJ. Um salve a quem se importa! Pois, “se não vejo na criança uma criança, é porque alguém a violentou antes, e o que vejo, é o que sobrou de tudo que lhe foi tirado. Essa que vejo na rua sem pai, sem mãe, sem casa, cama e comida, essa que vive a solidão das noite sem gente por perto, é um grito, é um espanto. Diante dela, o mundo deveria parar para começar um novo encontro. Porque a criança é o princípio sem fim e o seu fim é o fim de todos nós.” Como defendia Herbert de Souza.