III FESTIVAL DAS JUVENTUDES DISCUTE DIREITOS HUMANOS E O PAPEL DAS JUVENTUDES ATRAVÉS DA ARTE E DA CULTURA

Publicação 22/04/21 19:27; atualização 22/04/21 19:56

Agamenon Porfírio - Jornalista

Foto e edição da imagem: Marly Pereira-@eumemoria

Entre os meses de abril e maio acontece a terceira edição do Festival das Juventudes trazendo como tema “Arte, Cultura e Formação em Direitos Humanos”. Reunindo artistas, estudantes e parceiros do território do Grande Bom Jardim, o evento que é realizado esse ano de forma virtual, se propõe a dialogar sobre os direitos das juventudes através da arte e da cultura. O Festival reúne estudantes de seis escolas públicas estaduais do Grande Bom Jardim e artistas de coletivos juvenis atuantes no mesmo território, com a proposta de garantir e estimular vivências democráticas para esses jovens em suas comunidades e escolas. Seguindo uma estrutura baseada em formações práticas, através de oficinas, rodas de conversa e apresentações artísticas, o objetivo é incentivar iniciativas colaborativas e inovadoras. O Festival visa a elaboração e criação de intervenções artísticas e culturais que dialoguem com as temáticas dos encontros propostos aos estudantes. Nos quatro módulos que seguem as formações, são abordados desde o próprio conceito de juventude, até questões como territorialidade e as práticas que podem ser geradas a partir das discussões levantadas. Educadores, gestores e jovens têm papel ativo na construção de cada etapa.

EDUCAÇÃO E TERRITORIALIDADE

Alana Maria tem 17 anos e cursa o 3º ano na Escola Professora Eudes Veras no bairro do Siqueira e em 2020, junto de cerca 100 estudantes e artistas do território do Grande Bom Jardim, participou da segunda edição do Festival das Juventudes. Através do Festival, a estudante diz ter conhecido mais sobre seu território, participado de eventos, se inteirado de pautas voltadas para sua comunidade e principalmente ter “conhecido pessoas maravilhosas”. Em 2021, Alana vivencia agora um outro lado da experiência. Tendo se integrado ao grupo Jovem Agente de Paz – JAP, ela é uma das lideranças juvenis que se somam na construção do III Festival das Juventudes. No território, os impactos das duas edições anteriores já conseguem ser notados pelos gestores das escolas, como aponta Marcos Matias, diretor da Escola Santo Amaro. Segundo Marcos, o Festival “fortaleceu o protagonismo juvenil e o sentimento de pertencimento com a escola e com o bairro, aumentando a participação nas atividades pedagógicas”. E para esse ano, a expectativa é de “mais engajamento e muita produção artística e cultural”.

ARTE E RESISTÊNCIA

A presença da arte e da cultura nessa construção, além de facilitar a discussão e assimilação das temáticas, é uma estratégia de sobrevivência, como aponta a artista e moradora do GBJ, Jô Costa. Coordenadora do primeiro coletivo com temáticas LGBTQ+ do território e membro do Maracatu Nação Bom Jardim, para Jô o Festival se coloca como lugar de valorização do território em seus mais variados âmbitos. “Acho que esse é o processo da gente quebrar esses paradigmas criados socialmente, de perseguição, exclusão e invisibilidade que nós sofremos enquanto pessoas periféricas. E mostrar e nos colocar em nosso lugar de direito, de produzir arte, cultura, afetos, encontros, mesmo nesse processo de pandemia”, completa. Para a assessora de Juventudes do CDVHS, Ingrid Rabelo, "tem sido ao longo desses anos, uma experiência de muito aprendizado e de muito desafio que é falar sobre Direitos Humanos em tempos de hostilidade e de criminalização dos movimentos sociais”. A fala de Ingrid se coloca diante de um governo que retira direitos, persegue minorias e lava as mãos diante da maior tragédia vivenciada pela humanidade no último século. Trazer a temática dos Direitos Humanos para o debate dentro das escolas, como bem aponta a coordenadora é “uma experiência bem subversiva em tempos de opressão”.

APRENDER BRINCANDO

Nesta edição, o Festival contará ainda com a gincana "Xô Covid", um momento de encontro com estudantes das seis Escolas participantes, com jogos e perguntas sobre a covid -19. Essa é uma oportunidade de exercitar a educação em saúde com esses adolescentes e jovens, que por sua vez são multiplicadores de informação em suas famílias e comunidades. A gincana acontecerá no sábado, dia 08 de maio de 09h às 11h através da plataforma Google meet. Os vencedores serão premiados com medalhas e certificados de agentes contra a covid, mas nessa luta, todos/as saem ganhando. O III Festival das Juventudes: Arte, Cultura e Formação em Direitos Humanos, é uma realização do Grupo Jovens Agentes de Paz e esse ano se adapta ao modo virtual, considerando o momento pandêmico vivenciado por todos. É uma iniciativa do Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza (CDVHS) em conjunto com o Fórum de Escolas do Grande Bom Jardim, o projeto Artes Insurgentes/UFC, o Centro Cultural Bom Jardim , o VIESES: Grupo de Pesquisas e Intervenções sobre Violência, Exclusão Social e Subjetivação e o LAPSUS: Laboratório de Psicologia em Subjetividade e Sociedade, ambos vinculados a Universidade Federal do Ceará.

Artes do Festival por Marly Pereira