FESTIVAL DAS JUVENTUDES PERMITE TROCA DE EXPERIÊNCIAS SOBRE CULTURA DE PAZ

Publicação 23/10/19 23:22; atualização 24/10/19 00:09

Atrações culturais, rodas de conversas, oficinas e muitas trocas de saberes fizeram parte do 5º Encontro do Festival das Juventudes : Arte, Cultura e Formação em Direitos Humanos no último sábado, 19 de outubro, na sede do CDVHS.

Foto: Jean Borges

Tendo como tema central a Cultura de Paz e Não Violência, o encontro começou com uma dinâmica de autoconhecimento facilitada por Jeferson Carvalho (integrante do BailandoRoots e colaborador do GT do JAP), em seguida três estudantes da Escola Jociê Caminha realizaram a abertura cultural do encontro, Sara Williana e Victor da Silva conquistaram o público com a apresentações de duas músicas e Sabrina Dantas fez uma linda apresentação de dança contemporânea que emocionou a todxs. .

As rodas de conversa do primeiro painel teve a participação da coordenadora da Casa AME Isabel Viana que apresentou a história do Movimento de Saúde Mental ( MSMC) no Grande Bom Jardim e as possibilidades que a instituição apresenta para os/as moradores/as do território, especialmente para jovens, público que mais enfrenta dificuldade de encontrar emprego e assistência para os problemas sociais, Isabel destacou a importância de procurar ajuda e de valorizar o autocuidado, "principalmente, porque estamos cada vez mais em uma sociedade tecnicista que dá menos valor ao que não gera retorno financeiro e desvaloriza a arte, a cultura e outros direitos humanos", afirma a arteterapeuta.

A psicanalista do Projeto Margem, Sabrina Ximenes, destacou a importância da escuta individualizada, como forma de analisar e cuidar dos rebatimentos que as problemáticas do contexto social impactam individualmente nas pessoas, de forma a entender como o bem-estar pode estar associado a cultura da não violência e da maneira como estamos procurando resolver os conflitos. Outro ponto apresentado, foi sobre o uso das redes sociais pelos jovens, de como elas (redes sociais) apresentam um mundo idealizado, com exposição do sucesso e da felicidade a todo o momento e, de como, isso se confronta com a realidade. Esse dilema, de acordo com a especialista, gera frustração e desânimo nos jovens, que não vêem sentido em atividades cotidianas, que não ofertam as situações apresentadas a todo instante nas redes sociais. A dica deixada por ela foi para que os/as jovens procurem o equilíbrio no tempo de navegação e, busquem encontrar nos fatos reais as possibilidades de encontrar alegrias e bem-estar.

As estudantes de psicologia e integrantes do grupo VIESES/UFC, Isabelle Rocha, Isadora Alves e Lara Thayse, levaram perguntas para envolver os/as participantes a falar sobre a forma como os/as adolescentes entendem o sofrimento e de como eles/elas podem encontrar maneiras de enfrenta-lo. A dinâmica de perguntas e respostas possibilitou uma calorosa discussão sobre como o contexto social influencia nos sofrimentos de adolescentes e jovens que moram na periferia, bem como, foi possível identificar formas criativas e diversas para driblar essas dificuldades. As facilitadoras destacaram a importância do autoconhecimento e de procurar atividades prazerosas e da importância de políticas públicas para o público infantojuvenil.

As apresentações foram intercaladas pela apresentação musical de Thifane Lima ( bolsista do JAP e integrante do Gueto Queen) . Após as rodas de conversa o grupo se dividiu para construir apresentações criativas sobre “ O que é estar em paz?’ Os/ As participantes apresentaram diversas compreensões através de cartazes, esquete, poesia e exposições sobre a pergunta, foram trocas artísticas e educativas. A manhã foi encerrada com a apresentação dos artistas Wesley Lobo e Thifane Lima, voz e violão.

O momento da tarde teve sua abertura com o jovem Lucas Costa, integrante do Grupo Teatro Político Trupirambu, e do Rua Juventude Anticapitalista, que cantou músicas autorais e de artistas nacionais para exaltar a importância da resistência dos/as moradores de periferia . Em seguida a roda de conversa foi facilitada pela jovem Jackline Marques, integrante do Grupo Jovens Agentes de Paz e do Coletivo BonjaRoots, apresentando sua experiências nos dois grupos, Jackline apresentou a história do surgimento do BonjaRoots e de como os/as integrantes têm feito para seguir resistindo em tempo de criminalização dos movimentos sociais, além de apresentar as estratégias de mobilização do público e de como trabalha a questão do respeito, do cuidado com o coletivo e com campanhas educativas. A jovem militante também compartilhou sua experiência no Grupo de Trabalho Jovens Agentes de Paz e de como ele contribuiu para sua formação política e cultural . A assessora de juventudes, Ingrid Rabelo e o japiano Jorge Costa participaram da mediação da roda de conversa que teve também a participação da estudante Alana Maria que apresentou um painel feito por ela e outros/as estudantes da escola Eudes Veras, com os lugares que representa a cultura de paz no bairro Siqueira.