Covid-19: Grande Bom Jardim alcança a marca de 606 vidas perdidas. Somente em maio foram 52. O território tem 11.016 casos confirmados acumulados.

Publicação 30/05/21 19:34; atualização 30/05/21 19:53

O Comitê Popular considera extremamente grave o fato de termos quatro vezes mais casos nesta segunda onda, e também mais mortes no Brasil em 2021, em cinco meses, que em todo o ano de pandemia de 2020. E mais grave ainda quando gestores optam por favorecer inserção do setor privado farmacêutico no mercado de bioimunizantes que incidir pela regulamentação da quebra de patentes.

Sistematização do Comitê Popular de Enfrentamento à covid-19 no GBJ e demais Periferias de Fortaleza

Boletim Epidemiológico de Fortaleza (SMS) - 28 de Maio de 2021

Com os dados divulgados nesta sexta-feira, dia 28 de maio, pelo Boletim Epidemiológico da Secretaria Municipal da Saúde de Fortaleza – SMS, foram contabilizadas 52 novas mortes pela Covid-19 no território Grande Bom Jardim (GBJ), entre 30 de abril e 28 de maio. Somente nos últimos sete dias foram 09 mortes, chegando à taxa de mortalidade territorial de 270,7. Com isso, somente no bairro Granja Lisboa, a taxa ficou em 308,7 com 176 óbitos.

Já são 606 vidas perdidas e 11.016 casos confirmados acumulados no GBJ pela doença desde o início da pandemia. Nos últimos sete dias, foram registrados 297 novos casos confirmados no território Grande Bom Jardim, 49 a mais que último período.

Com uma taxa de mortalidade de 317,2 e 22% das mortes pela covid-19 de Fortaleza, a Coordenadoria Regional de Saúde V (CORES V) tem o maior número absoluto de mortos da cidade, com 1.882 óbitos acumulados.

A pandemia não acabou – alerta Fiocruz e novos esquemas vacinais

Segundo Boletim publicado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta quinta, 27, a pandemia deve piorar nas próximas semanas no Brasil. Embora haja certa estabilidade na média móvel de mortes, no entorno de 1,9 mil, nas últimas semanas foi registrado um aumento constante e considerável de novos casos. O boletim estima que o país volte a alcançar uma média de 2,2 mil mortes dia na próxima semana, devido a uma média de 62 mil novos casos dia e um crescimento diário de 0,7% no número de diagnóstico de covid-19 no país. A Fiocruz indica ainda um rejuvenescimento da pandemia, considerando que a faixa etária suscetível ao vírus, que ainda não tomou nenhuma das doses dos bioimunizantes tem entre 18 e 59 anos de idade.

Segundo o Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da Universidade de São Paulo, na matéria Prioridade na vacinação negligencia a geografia da Covid-19 em São Paulo, acesso. assinada por Aluízio Marino, Gisele Brito, Pedro Mendonça e Raquel Rolnik, os critérios da campanha de vacinação contra a covid-19 no país são fortes indicadores de como se opera o racismo estrutural nas cidades brasileiras, onde os brancos e ricos de bairros de alto IDH são privilegiados pelos esquemas de imunização. “Às vésperas de uma terceira onda, não é mais possível adiar a adoção de critérios de vacinação que sejam socialmente eficazes e justos”, conclui os pesquisadores.

A matéria, publicada em 26 de maio já repercutiu no Ministério da Saúde (MS). Nesta sexta, 28, o MS decidiu liberar a vacinação para grupo etário não prioritário em ordem decrescente 59 a 18 anos de idade para municípios que já alcançaram metas de segmento idoso. acesso. No entanto, o estado do Ceará parece não ter alcançado. A Secretaria da Saúde do Estado (SESA) anunciou que somente iniciará o esquema decrescente somente em julho.

Sem controle de fronteiras, sem testagem em massa, sem investigação consistente de material genético e sem rastreamento de contatos, o recrudescimento da pandemia no país seria inevitável. O Comitê Popular considera extremamente grave o fato de termos quatro vezes mais casos nesta segunda onda, e também mais mortes no Brasil em 2021, em cinco meses, que em todo o ano de pandemia de 2020. E mais grave ainda quando gestores optam por favorecer inserção do setor privado farmacêutico no mercado de bioimunizantes que incidir pela regulamentação da quebra de patentes.

Números do Boletim Epidemiológico, por bairros do Grande Bom Jardim, divulgado em 28 de maio: O bairro Bom Jardim não registrou nenhuma perda neste último período. O bairro Siqueira teve o maior registro (04). No total, foram 09 mortes no período no GBJ. Confira os números por bairro: Bom Jardim (00) Canindezinho (01) Granja Lisboa (03) Granja Portugal (01) Siqueira (04)

O território GBJ teve um aumento de 297 novos casos confirmados, entre 21 e 28 de maio. Canindezinho teve o maior registro (77) no período: Bom Jardim (35) Canindezinho (77) Granja Lisboa (62) Granja Portugal (70) Siqueira (53)

Situação do Território do GBJ

Em 2020, no período de nove meses de pandemia, foram registradas 336 mortes pela Covid-19 no GBJ. Neste ano, já com bioimunizantes disponíveis, em apenas quatro meses, o número já chegou a 270 óbitos. Para o Comitê Popular de Enfrentamento à Covid-19 no GBJ e demais Periferias de Fortaleza, ainda há uma considerável pressão por assistência nos postos do território, um aumento de novos casos nos últimos 07 dias, embora pequena redução de óbitos neste mesmo período, e ainda é observado fluxo de usuários às unidades primárias em busca de atestados médicos para vacina segmento comorbidades. Como não bastasse o diminuto número de doses de bioimunizantes, o governo cria problema para celeridade da cobertura vacinal. Em uma única unidade, cinco médicos pediram para sair em menos de 30 dias, entre 15 de abril e 13 de maio, resultando em um apagão no atendimento da unidade, auditoria externa e remanejamento da coordenação, indicador de problemas na gestão e de colapso da capacidade de atendimento. Conforme indicado pelo boletim, o pico nesta segunda onda deu-se entre 23 e 24 de março, com 70 mortes, seguido de um comportamento de oscilações entre repiques e platôs entre março e abril.

O Comitê considera que o momento merece cautela, como ponderações do boletim: [...] “As oscilações ascendentes (repiques) e platôs mais curtos do que os que foram observados na série de casos indicam variações esperadas quando se analisam desfechos fatais (dependentes da duração da doença), sugerindo dados acurados”. [...] O Comitê avalia um lapso técnico, governos e mídias tomarem ocupação de leito como indicador para flexibilizar circulação e promover atividades produtivas. O melhor indicador deve ser o registro de casos confirmados, a porta de entrada no sistema (redes primárias e secundárias – respectivamente, postos e UPA’s) de saúde e não a porta de saída (redes terciárias - hospitais), como diz o boletim [...] “Em virtude do ainda elevado número de pacientes hospitalizados, pressionando a rede assistencial, observa-se um relevante incremento de mortes a cada 24 horas”.

A proporção de positividade dos exames da rede pública de RT-PCR foi de 26,7% no último período, uma pequena redução em relação à semana anterior (30,5%). Segundo a articulação, o momento inspira cuidado, posto que as taxas ainda estejam elevadas a despeito do longo período de isolamento mais rígido (março e parte de abril) e da cobertura vacinal segunda dose em Fortaleza, que, segundo vacinômetro da Secretaria Municipal da Saúde acesso, até 27 de maio 2021, são 320.791 pessoas ou 12% da população.

Mesmo com menos pessoas suscetíveis ao vírus, tivemos, nesta segunda onda, em Fortaleza, consistentes números de casos confirmados (144.250) e de mortes (4.095). Ou seja, 62% do total de casos e 49% do total de mortes pela covid-19 ocorrem entre janeiro e maio deste ano. Em toda pandemia, Fortaleza registra, respectivamente, 232.476 casos confirmados e 8.422 óbitos acumulados desde o início da pandemia, segundo IntegraSUS acesso.

O que é o Comitê?

O Comitê Popular de Enfrentamento à Covid19 no GBJ e demais Periferias de Fortaleza é uma iniciativa comunitária em vigilância popular em saúde coletiva na pandemia, formado por 56 representações institucionais, tendo, atualmente, 80 pessoas integrantes. Participam também sacerdotes de várias identidades religiosas (padres, pais de santo, pastores), associações de moradores, organizações da sociedade civil, lideranças comunitárias, profissionais da saúde como agentes comunitários de saúde, enfermeiro, médicos e pesquisadores. Acataram o plano de Enfrentamento do Comitê e são presenças nas reuniões: as Secretarias Regionais V e X, SMS, SDE, AGEFIS, SME, SEDUC, SECULT, CEPPIR, COPPIR, SDHDS, Ouvidoria Externa Geral da DPGCE, Mandato Gabriel Aguiar (PSOL), Mandata Nossa Cara (PSOL), mandato Guilherme Sampaio (PT), mandato Larissa Gaspar (PT), mandato Renato Roseno é Tempo de Resistência (PSOL), mandato Ronivaldo Maia (PT), Comissão DH da Assembleia Legislativa, Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Câmara de Vereadores de Fortaleza Frente Parlamentar em Defesa da Imunização contra a Covid-19 em Fortaleza e Fiocruz.

O Comitê Popular tem encontro remoto toda segunda-feira, a partir das 18h. Nesta segunda, 31, tendo como questão central Qual a Importância de Protocolos de Testagem em Massa, de Rastreamento de Contatos e do Fluxo de Seguimento para Quebrar a Cadeia de Transmissão do Coronavírus? Foram convidadas para responder à questão a Dra. Lígia Kerr, professora titular da UFC, mestre e doutora em Medicina Preventiva pela USP e pós doutora em epidemiologia por Harvard e Universidade da Califórnia; e Dra. Shirley Cristianne de Faria, Coordenadora da Regional de Saúde V (CORES V) Secretaria Municipal da Saúde, graduada em enfermagem pela UECE, especialista em Saúde da Família pela Escola Saúde Pública do Ceará e mestre em Saúde Coletiva pela UFC. Na segunda, 31, às 18h, via Google Meet. O link é disponibilizado às 17h da segunda. Para solicitar, entre em contato, através do número WhatsApp 88 9.9498-8580.